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Jundiaí também pede transparência tributária

A caravana pela transparência tributária chegou a Jundiaí, a 50 quilômetros da capital paulista, na última sexta-feira, empurrada por mais de 100 mil brasileiros que já deram seu apoio ao movimento De Olho no Imposto. Nas quatro últimas semanas a caravana percorreu 12 cidades paulistas, coletando assinaturas que serão encaminhadas ao Congresso para garantir que sejam criados dispositivos na Constituição que tornem visíveis as mordidas do fisco.

Atraída pela música, palhaços e malabaristas que sempre marcam presença no Feirão do Imposto, a aposentada Ameris Spetrini, de 80 anos, descobriu que a "algazarra" na praça não era nada quando comparada à "lambança" tributária que vigora no País. A cada etiqueta que via afixada nos produtos com a porcentagem de imposto embutidos no preço final da mercadoria, ela lamentava.

"É revoltante, sabia que pagava imposto, mas não em tudo. Como pode o arroz ou o açúcar, produtos de primeira necessidade, serem tão taxados? Se esses impostos voltassem em benefício para nós, eu pagaria com prazer. Mas cadê a educação, a saúde?", questionava.

Parcerias – Para que a população, assim como dona Ameris, tenha a consciência de que paga imposto em tudo o que adquire, tem sido importante o trabalho das entidades e lideranças das cidade visitadas pela caravana tributária. Em Jundiaí, mais de 100 delas envolveram-se com o movimento.

"Se colocarmos no papel, 50% do esforço nacional acaba absorvido pelos impostos. Digo isso porque, além de todas as tributações que consomem 41% do Produto Interno Bruto (PIB), a cada imposto criado há um custo administrativo extra das empresas para calcular o impacto que trará", disse José Maria Chapina, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis de São Paulo (Sescon-SP).

Durante a palestra em Jundiaí, Guilherme Afif Domingos, presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), lembrou que o sistema tributário, formado de pegadinhas, contribuiu para a União arrecadar R$ 731 bilhões em 2005. "Quero saber para onde esse dinheiro vai. Essa desordem tributária é um peso nas costas do brasileiro, e impacta negativamente o desenvolvimento nacional. O Brasil não tem acompanhado o crescimento mundial. E como não crescemos, viramos um País de pula-fronteiras. Nossa juventude tenta a sorte em outros países", comentou Afif.

A mesma opinião tem Vandermir Francisconi Júnior, diretor da regional Jundiaí do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). "O crescimento da economia no ano passado não foi suficiente nem para comportar os jovens que poderiam entrar no mercado de trabalho", disse.

Essa falta de empregos, na opinião dos parceiros da ACSP, resulta em debandada para o exterior ou em miséria. "Mais de 30% da nossa população vive abaixo da linha de pobreza. Essas pessoas precisam saber que a sociedade paga para ter educação, casa e saúde de qualidade", disse Alexandre de Barros Castro, presidente da regional de Jundiaí da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Jundiaí e região têm como meta – para ajudar na coleta de 1,5 milhão de assinaturas para o projeto de lei popular – a adesão de 31 mil cidadãos.

Renato Carbonari Ibelli, de Jundiaí
Fotos: Marcos Peron/Virtual Photo

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